Registos do tempo que passa

O livro que agora se apresenta, de poemas sem metro e de partituras vem na sequência directa do livro [Des]harmonias apresentado também por conta de autor no final de 2020, também na 5Livros.

É também um exercício sincero de comunicação e partilha no descobrir incessante de uma nova condição pessoal que me atinge e a seres muito próximos e muito presentes e contudo por ora ainda desconhecidos. 

Existe o entender doloroso que estas pessoas tão próximas e tão distantes são as que menos me traíram, aquelas que não me abandonaram e aquelas cuja vida foi posta em perigo pela loucura dos homens por minha causa. Embora sem culpa e sem obrigação, mas certamente com uma responsabilidade ética e a ética pessoal resultante do encontro recíproco feliz que prometia melhores dias e não foi pelos interessados traídos, mas por terceiros em intervenções múltiplas, multidireccionais, complexas e contraditórias, em sistema móvel de intervenções (para empregar velha linguagem jurídica) cada qual com rumo próprio, a fazer prevalecer sem conceder os objectivos da linha de intervenção sem curar a meios e sem ponderar consequências. Como prosseguir vivo nestas condições, a viagem ainda merece ser feita? Eventualmente se a ética e a responsabilidade ética puderem ser com algum grau de satisfação das vítimas interessadas, cumpridas.

Haendel escrevia il trionfo del tempo i del desengano para assegurar que o passar do tempo fazia esquecer o sentimento e que o reencontro seria pobre porque o interesse já não teria condições para subsistir. Não creio, em debate de mais de 300 anos de distância. Num contexto particular de tão elevada tensão em que se verificou uma vontade colectiva em subjugar, dominar, vencer, submeter, impor, a condição de alegria e de esperança em que se encontrarem os vários interessados se este encontro vier a produzir-se significará il trionfo del tempo i della speranza

Enfim sobre a relação entre o doloroso perdão, o sarar as feridas e o optimismo, esta trilogia não corresponde a um hedonismo fácil. O optimismo, como o existencialismo, é um humanismo (Sartre), O optimismo, diversamente de simples e fácil hedonismo na moda, é um existencialismo, uma ética e um projecto concretizado em modo de viver quotidiano. Por isso não pode haver lugar ao suicídio nem à violência. Por isso, a cada vez que um homem cai, podendo, levanta-se e continua a andar (Madiba). 

Trabalho com a 5 Livros pela 2a vez, desde o meu 1.º livro de poesia e partituras, Desharmonias (outubro de 2020).
Repeti agora com o Registos do tempo que passa (junho de 2021), e manter-me vou (seja perdoada a forma verbal/a chave deste pequeno enigma encontra-se na obra do Pe. A. Vieira (nunca nada farão os homens de havemos de fazer).
O trabalho é excelente. A relação qualidade-preco, é optima. Trabalhar por conta de autor garante uma grande independência editorial, uma vez que não são opostas determinadas excepções á apresentação de uma proposta (ressalvada a sempre legítima excepção oposta a conteúdos não aceitáveis).
Existe por fim a garantia de que o público interessado vai saber e se assim entender vai se debruçar sobre o trabalho no sentido da sua avaliação positiva ou negativa. Logo a 5 Livros proporciona uma actividade Ganhador-Ganhador, em que, se interessar, a obra vai chegar ao público relevante.
Apenas posso exprimir o meu profundo agradecimento ao Mário Brito que permite destarte canalizar conteúdos mais especializados (ou sentimental ou poeticamente especiais) para o seu verdadeiro público: