Leonor espera pelo namorado, Rolando, na Igreja da Misericórdia. Quando ele chega, abatido e de olhar estranho, puxa-a para o confessionário a fim de lhe entregar um embrulho, que ela só deve abrir mais tarde. Além disso, quer contar-lhe uma coisa muito importante. Mas não tem tempo para o fazer – o suor dele inebria-a e os lábios dela enlouquecem-
-no. Ela beija-o. Ele, desvairado, despe-a e aperta-a com força, preparando-se para a penetrar e para lhe colocar as mãos no pescoço. Neste momento, ela abre os olhos, verde-azulados, e vê os dele, avermelhados e satânicos. Não o reconhece e grita. «Simultaneamente, Leonor vislumbra, num jogo de luz e sombra, a mão direita de Cristo a despregar-se da cruz, a empunhar um revólver, dando um tiro certeiro no coração do rapaz. Fica paralisada durante alguns segundos. Depois, como uma mola, abre a porta do confessionário e foge da igreja, espavorida.»
A Mão de Cristo éum tríler que se desenrola a partir deste misterioso homicídio. Cabe ao inspetor Ronaldo (anagrama da vítima) tentar encontrar o assassino. Por outro lado, o embrulho entregue a Leonor vai revelar crimes hediondos. É ela – jornalista de investigação, desempregada – que vai arcar com o ónus da prova, por ser a única testemunha/suspeita da morte de Rolando. Acaba por pedir ajuda ao inspetor para a livrar desta trama. Mas vai valer a pena, pois «Não há ónus sem bónus».