O rumo escolhido op. OPα06
Casa com terraço, op. OPα07
Claridade a descoberto, op. OPα02 (2ª versão)
Esta casa, se possuidora de um terraço,
é porque a planeámos dilatável, veículo célere
da fluência que nela o silêncio de si irradia.
Um terraço servindo de cais para a claridade aí acostar,
e donde se avistam os bosques de índole elevatória
e os bandos de aves que os ocupam.
Casa com terraço, para que eu possa tornar-me,
durante os sucessivos gestos de estremecimento muscular,
num dos que se recostam numa cadeira de baloiço
virada para a laguna pneumática do dia.
Diante de mim, a sua extensão lava-me fundo o olhar
com a mão rotativa do ar vindo do horizonte.
Aflorado, o caudal agitante do verão
aquece-se numa força de atracção prestes a inserir-me
no aglomerado de folhagem que dele não se separa.
Ligado à contínua brevidade do que passa
pelo olhar com que o calibro e o faço centrífugo,
vou cumprir-me até ter uma foz.
Foz de céu em riste, leve como um outeiro de gaze,
desde que o trajecto do olhar a alcance
onde eu me complete segmento complementar
da linha de um horizonte cujo prolongamento me deseja,
flutuante e flexível, ao sabor da minha única vida.
Oscilo tanto eu como o ar que me inunda.
Que fácil, sangrar sentado sobre o gatilho do dia.
E o facto de o premir, mantendo sonante o movimento
de me deixar sulcar pelos seus gumes rasantes,
preenche-me o olhar com uma tuba de filtragem do chão
em que a própria cadeira de baloiço é um cais
para a descarga da face da claridade.
As aves voam por entre nós, ao longe renovam-se
os bosques que para cá as lançaram ágeis.
E a amplitude da nossa voz plural aumenta de fluxos
ao ramificar-se por um declive de fusão acima.
Neste terraço podemos ser aéreos ou térreos.
Ou aéreos e térreos em simultâneo.