OPUS OPα I

ISBN [Edição Impressa]: 9789895862542

O rumo escolhido op. OPα06

Casa com terraço, op. OPα07

Claridade a descoberto, op. OPα02 (2ª versão)

Esta casa, se possuidora de um terraço,

é porque a planeámos dilatável, veículo célere

da fluência que nela o silêncio de si irradia.

Um terraço servindo de cais para a claridade aí acostar,

e donde se avistam os bosques de índole elevatória

e os bandos de aves que os ocupam.

Casa com terraço, para que eu possa tornar-me,

durante os sucessivos gestos de estremecimento muscular,

num dos que se recostam numa cadeira de baloiço

virada para a laguna pneumática do dia.

Diante de mim, a sua extensão lava-me fundo o olhar

com a mão rotativa do ar vindo do horizonte.

Aflorado, o caudal agitante do verão

aquece-se numa força de atracção prestes a inserir-me

no aglomerado de folhagem que dele não se separa.

Ligado à contínua brevidade do que passa

pelo olhar com que o calibro e o faço centrífugo,

vou cumprir-me até ter uma foz.

Foz de céu em riste, leve como um outeiro de gaze,

desde que o trajecto do olhar a alcance

onde eu me complete segmento complementar

da linha de um horizonte cujo prolongamento me deseja,

flutuante e flexível, ao sabor da minha única vida.

Oscilo tanto eu como o ar que me inunda.

Que fácil, sangrar sentado sobre o gatilho do dia.

E o facto de o premir, mantendo sonante o movimento

de me deixar sulcar pelos seus gumes rasantes,

preenche-me o olhar com uma tuba de filtragem do chão

em que a própria cadeira de baloiço é um cais

para a descarga da face da claridade.

As aves voam por entre nós, ao longe renovam-se

os bosques que para cá as lançaram ágeis.

E a amplitude da nossa voz plural aumenta de fluxos

ao ramificar-se por um declive de fusão acima.

Neste terraço podemos ser aéreos ou térreos.

Ou aéreos e térreos em simultâneo.

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