Fernando Silva
Se chover um pingo que seja, cai-me na tola. Se um pombo largar um presente em dia de concerto no Terreiro do Paço, entre 50.000 assistentes, tenho quase a certeza que serei o feliz contemplado – basta-me estar lá.
Se alguém chegar ao cinema para ver o filme errado ou procurar o carro no “1” quando está no “-1”, também posso ser eu.
Nasci em 62, mas só me apercebi em 63. Participei nas manifestações de 74 – para mim eram festas – e saltei fogueiras nos Santos Populares (normalmente chamuscava-me). Apanhei musgo para o presépio, joguei à bola na rua, fui aos grilos, remexi no casco e o verão cheirava a pinhal.
Conheci gente que, cada um à sua maneira, eram mais que enciclopédias: sabiam coisas que não se explicam, justamente, porque não se aprendem.
Sentem-se, descobrem-se e vão-se burilando.
A amizade não tinha apenas valor, tinha essencialmente força… que vencia barreiras e esbatia
diferenças.